A DIETÉTICA

O erro fundamental da dietética moderna é basear suas pesquisas em apenas um dos dois aspectos da nutrição. Ela toma o alimento como objeto principal dessas pesquisas, negligenciando a parte que se refere às funções orgânicas.

As funções orgânicas do homem são tão perfeitas que, ao nível da Ciência atual, não se consegue entendê-las. A partir dos alimentos, elas transformam e produzem livremente os nutrientes necessários. Vejam: esse verdadeiro cientista chamado aparelho digestivo transforma os alimentos ingeridos, como arroz, pão, verduras, batatas, feijão, etc., em sangue, músculos e ossos. Por mais que se analisem os componentes desses alimentos, não se conseguirá descobrir um glóbulo sangüíneo sequer, nem um milímetro de células musculares. Por outro lado, por mais que se dissequem os alimentos, não será possível localizar uma só molécula dos componentes das fezes ou da urina, nem tampouco traços da amônia. Assim, se fornecermos vitaminas ou plasma sangüíneo ao corpo, considerando-os nutrientes, qual será o resultado? Acentuar-se-á o enfraquecimento do corpo.

Suponhamos que haja uma fábrica destinada a determinada produção. Dispondo-se de matéria-prima como ferro e carvão e do trabalho dos operários, da ação das máquinas, da queima do carvão e de vários outros processos, conseguir-se-á um produto acabado. Portanto, esse processo constitui a própria vida de uma fábrica. Se, desde o início, transportássemos para lá produtos já acabados, não haveria mais necessidade do carvão, nem do trabalho dos operários e das máquinas, e a fábrica deixaria até de soltar fumaça pelas chaminés. Não havendo atividade, dispensar-se-iam os operários, e as máquinas acabariam enferrujando. Analogamente, se ingerimos alimentos já processados, a fábrica produtora de nutrientes fica sem atividade e o corpo enfraquece. Assim, é necessário estarmos cientes de que a vitalidade do homem provém da atividade de transformação dos alimentos inacabados em acabados. É claro que todos os nutrientes industrializados, como as vitaminas, são produtos acabados, sintéticos.

A dietética atual também menospreza o valor nutritivo dos cereais, acreditando que os nutrientes estão contidos, em sua maior parte, nos pratos complementares, e não no prato principal. Isso também constitui um erro. Na verdade, o valor nutritivo dos cereais é o mais importante; o dos pratos complementares é secundário. Pode-se dizer que eles servem para tornar mais apetitosos os cereais.

O organismo do homem foi criado de modo a se adaptar ao meio ambiente. Se comemos pratos pobres continuamente, nosso paladar se modifica e começamos a achá-los saborosos. Entretanto, parece que pouca gente tem conhecimento disso. Caso a pessoa se acostume com belos pratos, passará a não mais se satisfazer, exigindo iguarias cada vez melhores. Isso se observa em pessoas extravagantes.

A seguir explicarei o significado dos alimentos. Eles foram concedidos não apenas ao homem, mas a todos os seres, para que estes possam se manter vivos. Foram feitos de forma adequada a cada espécie. O Criador destinou o alimento certo ao homem, aos animais quadrúpedes e às aves. Quais são, então, os alimentos atribuídos ao homem? É fácil reconhecê-los, porque eles têm sabor e as pessoas têm paladar. Portanto, saboreando os alimentos e ficando satisfeitos, elas absorvem os nutrientes naturalmente, o que irá constituir a base da saúde. Deverão, pois, saber que tomar cápsulas de vitaminas, por exemplo, que não precisam ser mastigadas nem exigem o trabalho da função digestiva, não só representa um grave erro como até faz mal. Dessa maneira, como as condições ambientais, profissionais e orgânicas são diferentes, basta a pessoa comer aquilo que estiver desejando comer, porque é isso que ela está necessitando. Ou seja, cada um deve se alimentar de modo natural, sem se apegar às teorias da Dietética.

As verduras contêm grande quantidade de nutrientes. Assim, do ponto de vista da nutrição, elas e os cereais já proporcionam alimentação suficiente. Os fatos comprovam minhas palavras: os agricultores e os monges budistas, que se alimentam principalmente de verduras, gozam de saúde e longevidade, enquanto as pessoas da cidade, que se alimentam continuamente de carnes, peixes e aves, contraem doenças com facilidade e têm vida curta.

5 de fevereiro de 1947