ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO
Gostaria de alertar aos especialistas que não há nada tão errado quanto a alimentação e a nutrição da atualidade. Eles transformaram-nas em teorias acadêmicas, demasiado distantes da realidade. Durante mais de dez anos fiz pesquisas profundas sobre o assunto e, surpreendentemente, os resultados obtidos foram exatamente o oposto do que a Dietética recomenda. Vou explicá-los partindo da minha própria experiência.
Até cerca de quinze ou dezesseis anos atrás, eu era um grande apreciador de carne, e o meu jantar consistia quase sempre de comida ocidental à base desse alimento, ou, eventualmente, de comida chinesa. Esse tipo de alimentação, segundo os nutricionistas, é o mais próximo do ideal, mas naquele tempo eu era magro e ficava doente com a maior facilidade. Vivia sempre gripado, com problemas de estômago, e não havia um só mês em que não fosse ao médico. Na tentativa de melhorar meu estado de saúde, experimentei todos os tratamentos que estavam em moda, na época, e mais outras práticas, como respiração profunda, banhos de água fria, meditação, etc. Eles fizeram algum efeito, mas não a ponto de melhorar minha constituição física.
Quando eu soube que a carne não fazia bem, voltei a alimentar-me de comida japonesa, que consiste em verduras e peixes. Então meu peso aumentou de 56 para 60 quilos em dois ou três anos; ao mesmo tempo, tornei-me resistente às gripes. Acabei até esquecendo que sofria do estômago e dos intestinos e pude sentir pela primeira vez a alegria de gozar boa saúde. De lá para cá, e isso já faz mais de dez anos, tenho trabalhado sempre com bastante disposição.
Resolvi, então, experimentar o método em mais de dez pessoas da minha família, inclusive meus seis filhos, e obtive bons resultados, conseguindo banir do meu lar o fantasma da doença. O mais interessante foi que experimentei ministrar-lhes uma dieta pobre em elementos protéicos. Assim, mandei que minha mulher e minha empregada dessem refeições pobres às crianças. Foi utilizado arroz 70% refinado, bastante verdura e, de vez em quando, peixe, mas apenas salmão salgado, sardinha seca e peixes comuns. Além disso, “ochazuke” (arroz embebido em chá) ou “shiomussubi” (bolinho de arroz com sal) acompanhados de picles japonês, ou, ainda “norimaki” (bolinho de arroz envolto em alga marinha) feito em casa, etc. Do ponto de vista da Dietética, uma alimentação carente de valor protéico.
O resultado foi surpreendente: durante os cursos primário e secundário meus filhos tiveram porte físico dos melhores. A nutrição foi boa porque, começando pelo mais velho, de dezesseis anos, até o mais novo, de quatro anos, nenhum teve doença grave. Todos os anos eles monopolizavam o prêmio de assiduidade, por não terem faltado um dia sequer às aulas.
Aproveitando a valiosa experiência obtida através dessa prática, tentei o mesmo método em centenas de pessoas que me procuraram desde que comecei a tratar de doentes, há oito anos. Os resultados foram excelentes, sem exceção. A alimentação à base de verduras tem sido muito eficaz principalmente no caso de pessoas portadoras de problemas pulmonares e pleurite. Gostaria, portanto, que os médicos pesquisassem como essa alimentação é benéfica para tais casos.
Pelos fatos que expus, poderão ver que a Dietética, cujo progresso é vertiginoso em nossos dias, apresenta um erro fundamental. Não me acanho de apontá-lo, pois constitui um sério problema do ponto de vista da saúde. E estou alertando firmemente não só os estudiosos do assunto como também as pessoas em geral. Se esta nova alimentação que tenho defendido se tornar uma prática comum, será uma grande boa nova, até mesmo do ponto de vista da economia nacional. Os agricultores do nosso país possuem resistência física ao trabalho porque têm uma alimentação pobre; caso eles passassem a se alimentar de carne, cujo valor protéico é muito alto, garanto que não suportariam o trabalho da lavoura.
Junho de
1935