

A primeira casa do mapa astrológico de uma pessoa indica essencialmente o tipo de experiência através da qual ela descobrirá melhor quem ela é como indivíduo. Ela poderá fazer essa descoberta em três níveis básicos de consciência, que podemos chamar de instintivo, mental-cultural e espiritual-cósmico. Esses níveis podem ser alcançados num estado de consciência ativo, dinâmico ou reflexiva e passivamente.
A primeira casa e sua origem ou cúspide, o Ascendente, indica como esses níveis podem ser alcançados mais eficaz e significativamente, a fim de melhor liberar o conjunto de potencialidades de um indivíduo que caracteriza uma pessoa específica.
Toda experiência vivida de forma profunda e total pode suscitar no indivíduo uma vontade de renascimento, de transformação ou de transcedência, mas certos tipos de experiência constituem meios mais adequados, significativos e eficazes do que outros para esse fim. Devemos olhar para o Ascendente para descobrir esses meios.
Toda experiência pode ser a fonte de desenvolvimento vitais novos e transformadores, vale dizer, criativos. Toda experiência encontra-se revelada no Ascendente do momento em que ela acontece.
O Ascendente é, com efeito, o fator mais vago e difícil de conhecer num mapa astrológico, mas, precisamente por ser ele o mais fugidio e o mais individual, é também o ponto de manifestação do espírito universal - ou Deus.
A primeira Casa de uma mapa astrológico se relaciona à área de experiência dentro da qual o Destino pode falar em momentos definidos para promover a realização de atos específicos. O que é necessário à pessoa individual, que poderia ser um instrumento de focalização para o Divino, é prontidão total, total receptividade a toda e qualquer ciscunstância e demanda da existência. É a perfeita disponibilidade, mais disponibilidade orientada para esse aspecto da vida do mundo que, para esse indivíduo específico, tem o caráter de autenticidade.
Pode-se, em geral, descobrir qual signo zodiacal estava em ascensão por ocasião do nascimento de alguém estudando-se as características dessa pessoa, especialmente a estrutura de seu rosto e sua expressão facial. A cabeça simboliza o caráter essencial da individualidade da pessoa como um ser consciente. Tudo "aflora" ao rosto da pessoa, ao menos em circunstância normais, pois o rosto exterioriza a forma da individualidade. Tem-se dito que os olhos são as janelas da alma, mas a cabeça é o lar construído pela individualidade. Ela reflete o verbo criativo do princípio.
O signo zodiacal no Ascendente, normalmente, nos diz muito com relação ao Dharma do indivíduo - isto é, a potencialidade central que a pessoa deve conscientemente procurar realizar como um vaso ou uma lente através da qual o Divino possa agir. Se houver planetas na primeira Casa, eles indicam o tipo ou os tipos de funções mais úteis no processo de descobrimento de nosso ser autêntico.
Tradicionalmente, a segunda Casa está relacionada com as posses e, em nossa sociedade, com o dinheiro - símbolo da capacidade de adquirir tudo o de que se necessita ou que se deseja. O conceito de posse, porém, é muito complexo, tendo vários níveis de significado.
O que está realmente em questão no tipo de experiências individuais que se pode relacionar à segunda Casa de um mapa de nascimento é o problema da propriedade, o que se quer dizer quando um indivíduo usa a palavra "meu".
No momento em que uma criança toma consciência de que é uma entidade distinta das demais entidades que a cercam, compreende inevitavelmente que há certas coisas que pode chamar de "suas". Sua consciência logo se destaca o bastante dos vários órgãos e funções do corpo para ser capaz de falar acerca de "minhas" mãos, "minhas"cabeça ou barriga etc., especialmente quando alguma dor aí se localiza.
"Isto é meu; ninguém pode tê-lo" é o grande glamor de nossa moderna sociedade individualista e capitalista. O grande impulso do lucro, da riqueza e dos bens mais intangíveis relacionados ao prestígio, influência social, fama e até "amor". Quase todo mundo se apega a algum tipo de privilégio - o aspecto negativo da propriedade. Ele é negativo porque se baseia no passado, e em geral na insegurança, no medo e no orgulho. O aspecto positivo da propriedade, por outro lado, é a capacidade de levar as energias da Natureza e os valores do passado a um novo nível de eficiência e produtividade - eficiência e produtividade não em termos de indivíduos, grupos ou classes sociais privilegiados e especiais, mas em termos de humanidade toda.
A segunda Casa mostra a atitude para com o dinheiro, a propriedade e a riqueza pessoal, a necessidade de segurança pessoal, a necessidade de segurança material, a atividade de negócios, os valores pessoais, a capacidade de obter lucro, de ganhar. Indica o crédito pessoal ou a falta de crédito, o desejo de status material, os recursos necessários para a auto-expressão, os gastos financeiros e outros valores que não o dinheiro. Indica a satisfação ou insatisfação do indivíduo em relação aos bens. Nela pode se localizar os problemas psicológicos da fase oral, sendo muitas vezes somatizados na garganta.
Indica o primeiro ambiente do recém-nascido e a relação da criança em desenvolvimento com esse ambiente. Tudo nele afeta a criança e é no contato com ele que ela começa a descobrir a extensão de de suas faculdades e a diferenciar o que ela é, como organismo vivo dotado de um tipo especial de consciência, do mundo externo. Esse mundo contém objetos e talvez animais e coisas em desenvolvimento, assim como os membros de sua família.
A terceira Casa refere-se, portanto, não só à natureza do ambiente e às pessoas que atuam nele - parentes próximos etc. - mas ao desenvolvimento da inteligência e, por fim, do intelecto analítico e da ciência empírica. O que diferencia essa Casa de sua oposta, a nona, é que a terceira se relaciona com experiências que envolvam contato pessoal direto com o ambiente próximo do indivíduo, ao passo que na nona Casa lida com experiências que só podem ocorrer em termos de cooperação entre seres humanos. As experiências da nona Casa implicam linguagem, uma base cultural, a faculdade humana de ligação ao tempo. Essas experiências postulam uma transferência de conhecimento de geração para geração. Elas se baseiam num tipo complexo e socialmente estabilizado de entendimento. Na terceira Casa, o "entendimento" é ainda muito rudimentar; ele é caracteristicamente empírico; reúne observações pessoais, classifica-se e ajusta-se num conjunto prático de regras. No entanto, essas regras são simples e não constituem leis universais. O tipo mental característicos da terceira Casa generaliza o mínimo possível. Ele se baseia no comportamento, na pragmática, na técnica. Quer simplesmente conhecer o processo de fazer as coisas por razões práticas. Ele pode ser muito curioso e inventivo, mas também sutil e habilidoso para desenvolver experimentos - haja vista os experimentos incrivelmente complexos ideados por cientistas de laboratório, sejam físicos ou psicológicos. Mas não é filosófico e menos ainda metafísico ou religioso. É a mente do especialista e não do "generalista".
O conhecimento no nível da nona Casa tende a ser teórico e muito geral, mas as experiências da terceira Casa têm um caráter de urgência. A sobrevivência pode estar em jogo. A busca de conhecimento no campo de experiência da terceira Casa é, ou deveria ser, condicionada pela necessidade de conhecer em termos práticos como tudo funciona, para que o indivíduo possa mais eficazmente demonstrar o que ele essencialmente é. Mas quando a pessoa é impelida nessa busca de conhecimento por metas e pressões socialmente determinadas, o conhecimento que ela adquire deixa de ter uma real significação para ela própria como indivíduo. Seu intelecto pode tornar-se inchado, cheio de dados sem sentido que ela não pode assimilar. Se ela não voltar atrás ou "sair"do ambiente que substitui sua verdadeira identidade individual por um ideal falso, então alguma tragédia pode ser inevitável.
A quarta Casa não só representa em seu sentido mais superficial como o solo produtivo, a base para o lar, e a terra onde cavar sepulturas - o "fim"de todas as coisas - mas também assume o significado, sobretudo, do centro do globo. Na quarta Casa a pessoa pode e deve atingir a experiência do centro - o centro de sua própria personalidade total, bem como o centro da humanidade global, de uma fraternidade humana firmemente estabelecida e concretamente real. Sem essa experiência de centro, um indivíduo nunca pode demonstrar plenamente sua estatura humana. Ele permanece uma criatura da camada achatada produtiva do solo, que constitui a superfície da Terra, quer ele erre sobre ela como animal superior ou se estabeleça num rigoroso enraizamento vegetal em dado ponto que considere "seu lar" ou "sua pátria".
A quarta Casa, portanto, pode-se dizer que tem dois sentidos básicos, de acordo com o nível em que opere a consciência do homem. Num sentido básico e biológico-psíquico, ela se relaciona ao solo em que o "homem-planta" (termo usado em antigas tradições esotéricas) se enraiza. A cúspide da quarta Casa é o ponto mais profundo de sustentação e do mais seguro fundamento para a edificação de qualquer coisa que se eleve acima do solo. Relaciona-se pois, à tradição ancestral e às grandes imagens e símbolos sobre os quais se constrói uma cultura - os "símbolos primordiais" de Spengler e os "arquétipos do incosciente coletivo" de Jung - na verdade, a tudo o que uma pessoa considere líquido e certo como verdades evidentes, incluindo-se os postulados da ciência e suas constantes.
Podemos levar um pouco mais longe o simbolismo da raiz capaz de alcançar o centro da Terra. A linha vertical do mapa de nascimento (zênite-nadir) aponta para o céu tal qual ele é visto pelos antípodas. Se todas as pessoas estivessem de pé sobre a superfície da Terra, as linhas prolongadas de suas espinhas dorsais se encontrariam no centro do globo e, prosseguindo, alcançariam os antípodas. Olhando exatamente acima para o céu, todo homem pode contatar uma estrela diferente. As cabeças das pessoas estão dirigidas para diferrentes pontos do céu; seus pés estão orientados para o centro, onde todas as coisas terrenas são unas. A unidade situa-se no centro da Terra, não no céu. A comum humanidade do homem é experimentada nas profundezas; são as funções da cabeça que diferenciam e dividem.
Quando um ser humano atinge o seu próprio centro, descobre também que está unido a todos os outros seres humanos, pois todas as coisas convergem para o centro. Na tradição maçônica, isto está simbolicamente relacionado com uma meditação sobre o Sol da Meia-Noite, pois à meia-noite o Sol está na cúspide da quarta Casa, iluminando os antípodas.
O caráter astrológico da quarta Casa e os planetas que se pode localizar nesse setor do mapa devem ajudar a descobrir o melhor meio de atingir um estado de integração e de adquirir uma base sólida e efetiva para a personalidade.
A quarta Casa se relaciona à função psíquica básica que Carl Jung chamou de sentimento. A primeira Casa se relaciona à intuição de Jung, que realmente significa uma sensibilidade definida.
A criatividade se relaciona com a quinta Casa porque criar, no sentido humano, é imprimir em nossa comunidade algumas características de nossa personalidade. É fazer nossa própria marca na sociedade ou na humanidade em geral. Obviamente, pode-se fazer isso de muitas maneiras. Ter um filho e criá-lo para se tornar alguém de importância sócio-cultural é um processo biológico. Produzir uma obra de arte ou literatura, fundar uma instituição cultural, imaginar e desenvolver uma grande invenção que afete o estilo de vida das pessoas, levar a própria pátria a uma admirável realização - todas essas atividades exteriorizam e põem em uso o poder do criador, do inventor ou do líder.
Na quinta Casa, teoricamente, a pessoa atua o mais estritamente possível como indivíduo. Ela não está interessada nos resultados sociais coletivos ou, se está, é apenas na medida em que esses resultados lhe trarão fama, prestígio e satisfação do ego. Na quinta Casa, uma pessoa busca aperfeiçoar sua própria natureza. Ela está mais preocupada em ser "original" do que em originar. Seja ou não reconhecida conscientemente a questão: "Que poderei lucrar com isso? Como esse ato poderá fazer-me sentir melhor, mais satisfeito, mais feliz, maior?" está sempre por detrás de seus atos. Isto se aplica tanto as nações quanto a pessoas individuais, como bem exemplifica o enfoque americano dos assuntos internacionais.
Se a quinta Casa é tradicionalmente considerada como a parte do mapa astrológico ligada às questões amorosas, ao passo que a sétima liga-se ao casamento, é porque, ao menos na sociedade do passado, um caso amoroso era tido como uma simples liberação de tensões emocionais-sexuais e/ou de frustações e infelicidade pessoal, ou freqüentemente um simples brinquedo ou passatempo, ou então um contato determinado pela ambição pessoal. Por outro lado, um matrimônio ou uma sólida sociedade comercial implicava a união permanente de pessoas que concebiam essa associação como um meio de produzir resultados biológicos, sociais ou culturais - resultados que se consideravam funcionais em termos da comunidade como um todo. O casamento, até bem recentemente, não aplicava a livre busca de união de duas pessoas independentes que nele procuravam uma maior realização pessoal no amor, pois essa união era, na maioria das vezes, arranjada de acordo com a classe e posição financeira dos interessados, com o fim de preservar - através da procriação de filhos convenientemente educados para desempenhar esse papel - a raça e os valores de uma determinada cultura e religião, fato que hoje costuma ser mal compreendido ou convenientemente esquecido.
A quinta Casa é a área das experiências que representam essencialmente o resultado de emoções, e devemos ser cuidadosos para distinguir emoções de sentimentos. Os sentimentos são experimentados na quarta Casa porque constituem as reações espontâneas de todo um organismo a uma situação de vida, seja em nível puramente biológico e instintivo, ou em nível psicológico e individualizado. Pode ser uma situação interna - como quando uma pessoa sente dor em alguma parte do corpo porque teve um orgão ferido - ou uma situação externa provocada pelo encontro com outra pessoa. O sentimento é um processo holista que envolve um estado orgânico de consciência, ou pelo menos de semi-consciência. Esse estado procura exteriorização, e o processo de exteriorização é tanto uma emoção - um "movimento para fora" - no nível psicológico, quanto, no nível físico, algum tipo de reação muscular ou química.
Também faz parte da tradição falar da quinta Casa como estando relacionada à procriação e à educação, ao menos em seu primeiro estágio. A razão disso é que a maioria dos pais tende a considerar os filhos como projeções e extensões de sua própria personalidade; costumam esperar que os filhos sejam o que eles próprios não conseguiram ser. Podem procurar dar-lhes oportunidades que eles próprios nào tiveram na juventude, ou projetar sobre os filhos seus próprios anseios e ambições, talvez para gozar indiretamente suas realizações e mesmo seus amores. Os pais também podem achar que é de seu dever transmitir aos filhos, mais ou menos a força, a cultura e os costumes que eles próprios receberam de seus pais.
Surge uma época na vida de toda pessoa em que ela é forçada a compreender que o que faz, sente ou pensa não corresponde ao ideal de comportamento, de realização pessoal e de sucesso que ela impôs. Até o indivíduo mais satisfeito consigo mesmo tem consciência de alguma deficiência: sua satisfação é, com muita freqüencia, uma tela por trás da qual ele oculta uma reconhecida sensação de inferioridade, incerteza ou de medo de fracasso. Se houvesse realmente alguém satisfeito consigo mesmo, a vida algum dia se incubiria de lhe provar que seu corpo ou sua mente, suas emoções ou seus nervos não foram capazes de acudir a uma emergência ou a um desafio. Enfermidade, dor, dúvidas íntimas e conflitos são provas características de derrota ou inadequação, ao menos relativas.
Mas quem pode ser inteiramente bem-sucedido na exteriorização e na concretização das potencialidades inerentes à sua personalidade ? Uma vez que a obra criativa é completa, o compositor, escritor ou artista costuma ter uma dolorosa consciência de que poderia ter produzido uma obra melhor. O enamoado chega ao ponto em que a maré do amor se escoa ou termina bruscamente, podendo então surgir uma sensação pungente: "Por que não consegui manter essa relação amorosa radiante, satisfatória ? Que fiz para pertubar ou para matar o sentimento de comunhão?" E o pai ou educador que se defronta com a rebeldia e talvez com a zombaria ou mesmo inimizade da criança que pretendia educar, não pode ajudar, mas apenas se perguntar o que fez de errado, ou se o ideal que projetou sobre a criança tinha realmente algum valor. Portanto, uma experiência de fracasso surge à medida que os esforços de auto-expressão e de criação encontram reveses e a mente e a alma se sentem vazias e derrotadas pela vida - na verdade, ao menos em certo grau, autoderrotadas.
O verdadeiro valor interior de uma pessoa costuma revelar-se quando ela tem de fazer a experiências de inadequação, carência, frustação ou derrota. Quando ela está à altura das necessidades comuns do dia-a-dia e é capaz de satisfazer com justo equilíbrio ao que a vida e a sociedade - ou sua família - dele requerem, só vemos em ação suas capacidades. Quando estas falham ou não estão à altura da tarefa, quando o seu corpo cai doente ou sua mente perde a estabilidade normal, então vemos a própria pessoa.
Pelo fato de a sexta Casa representar fundamentalmente tudo quanto diz respeito a crises pessoais e ao modo de enfrentá-las, ela revela, mais que qualquer outro fator em todo o campo da astrologia, como um indivíduo pode crescer e se transformar. Ela indica, por seu conteúdo, o tipo ou tipos básicos de desafios que se pode esperar sempre que se apresentarem oportunidades para o crescimento. Essas oportunidades podem ser apresentadas pela própria vida ou pela presença do mestre e guia espiritual, cuja tarefa é tornar as oportunidades mais definidas e, desse modo, a crise mais focalizada e aguda.
Nos compêndios tradicionais da astrologia, diz-se que a sexta Casa se relaciona a emprego - ou a servos que empregamos ou a nosso empregador - a todo trabalho, a todas as formas de treinamento, a assuntos relativos à saúde e à higiene - e, em casos específicos ao serviço militar. Como sempre, esses significados tradicionais são, por si mesmos, superficiais, limitadores e deixam de revelar o significado básico dessa importantíssima Casa.
Seu siginificado básico é o de crescimento pessoal. Crescimento significa transformação ou mudança de condição. Essa mudança requer um novo passo à frente, ou, se o movimento for negativo para trás. Em todo novo passo que uma pessoa dá, há um momento durante o qual ela se desequilibra, tendo deixado um estado de equilíbrio (ou estailidade) anterior e ainda não tendo atingido o estado subseqüente. Esse estado de falta de equilíbrio indica uma crise. Todas as crises são transições entre dois estados ou condições de existência ou de consciência. A maioria das transições é difícel ou penosa; dificilmente alguma pessoa as atravessará deliberada e conscientemente, salvo se a fizerem desejar o risco por efeito de uma aguda e pungente compreensão de que lhe falta algum talento; que ela, ao menos em parte, fracassou ou foi bloqueada.
Mas não se deve esquecer que, para o indivíduo, responder ou reagir a uma necessidade social ou nacional é a via normal do crescimento; essa via normal não requer inevitavelmente que ele passe por crises agudas ou por enfermidades. O que é preciso é que ele contribua para a produtividade e para o desenvolvimento de sua comunidade, e essa contribuição normalmente assume a forma de emprego ou de prestação de serviço. Tal contribuição pode incluir uma multidão de pequenas crises ou de esforços determinados para ajustar-se às condições sociais - ainda que seja apeas para viajar diariamente em trens apinhados, ou o esforço para vencer a fadiga todas as manhãs, quando o despertador - o moderno aguilhão dos escravos ! - nos sacode de nossa letargia.
Se o relacionamento de um indivíduo com a comunidade for negativo, emprego significa escravidão pura ou mitigada; se nossa sociedade se esfacelar por uma guerra ou revolução, o campo das experiências da sexta Casa significará algum tipo de serviço militar compulsório. As crises se tornam mais agudas então, ainda que sejam menores e repetidas. Entretanto essas crises ainda podem siginficar crescimento para o indivíduo - o escravo pode dar demonstrações de crescimento espiritual muito mais acentuado do que seu implacável senhor! O que importa é a atitude assumida e o grau em que o espírito, o ser interior, foi estimulado e tem sido capaz de induzir transformações na personalidade total. Isto deve incluir, ao menos em certo grau, a transformação das respostas do corpo, dos desejos e dos impulsos instintivos.
A mensagem da sexta Casa é: Transformai-vos! Ninguém com uma sexta Casa natal enfática deve procurar escapar ou recusar-se a atender a essa convocação para a transformação.
A medida que alcançamos a sétima Casa, lidamos com experiências resultantes de um tipo de atividade que já não se baseia principalmente no ser individual mas, em vez disso, nas formas confirmadas de relacionamentos com outros seres, formas de relacionamento que implicam um sentido fundamental de cooperação e de comunhão com outras pessoas.
O princípio de relacionalidade Descendente, e o princípio de identidade, Ascendente, constituem duas polaridades independentes. O que a pessoa é como ser individual ficará demonstrado no modo pelo qual ela se relaciona com os outros e com o mundo em geral; da mesma forma, os resultados dos relacionamentos proporcionam um feedback que influi sobre o que os psicólogos hoje chamam de "auto-imagem".
A sétima Casa é potencialmente a mais dinâmica de todas. É nesse campo da experiência humana que a pessoa pode ser mais fundamentalmente transformada. É também aqui que a pessoa experimenta a sua maior liberdade - a não ser que certos planetas estejam muito próximos do Descendente, planetas que simbolizam pressões do destino que compelem e que, só eles, podem edificar, através da magia do relacionamento, o tipo de bases necessárias à realização de um poderoso propósito inerente à vida do indivíduo. Em tal caso, o indivíduo pode ver-se impulsionado por esse propósito e entrar num certo tipo de relacionamento, ou num relacionamento com certo tipo de pessoa, o que pode proporcionar experiências que talvez sirvam muito bem para dinamizar o propósito do destino, mesmo que seja através de tensão e de esforço, ou mesmo de alguma estratégia.
O casamento, e também outros tipos de parcerias pode representar um campo de tensões não resolvíveis. As experiências derivadas dessas tensões também podem servir ao propósito do crescimento pessoal e levar à realização do destino do indivíduo. O planeta próximo ao Descendente é normalmente um forte indício da melhor maneira de fazer face a essas experiências. Elas serão enfrentadas em diferentes níveis, de acordo com a fase de crescimento do indivíduo e, poder-se-ia acrescentar, de acordo com a fase de evolução da "alma" que essa vida específica corporifica.
A oitava casa a começar do Ascendente, deve também ser interpretada como a segunda Casa, a começar do Descendente. Cada uma das seis Casas acima do horizonte pode, portanto, ser tida como dotada de dois significados fundamentais: um relativo ao Ascendente - princípio de identidade - e o outro ao Descendente - princípio de relacionalidade. O indivíduo se desdobra e realiza seus poderes através das seis primeiras Casas, e os relacionamentos encontrados nessas seis áreas da existência são experimentados e avaliados principalmente em termos do ser individual.
Quando o astrólogo tradicional fala da oitava Casa como sendo a Casa da morte e da regeneração, sua interpretação baseia-se principalmente na correspondência que com tanta freqüência - e ao meu ver indevidamente - se acentua entre os signos do zodíaco e as Casas, isto é, a primeira Casa corresponde a Áries, a segunda a Touro, e a oitava a Escorpião. Há alguma validade em estabelecer tais correspondências, mas em geral elas são apenas desconcertantes. Os signos do zodíaco e as Casas representam dois conjuntos de valores fundamentalmente diferentes. Eles se relacionam com diferentes fatores, ainda que os dois conjuntos de valores se relacionem de vários modos - particularmente do ponto de visto numerológico. No caso da oitava Casa, não se ganha nada com o estabelecimento dessa correspondência porque Escorpião é um dos signos menos compreendidos do zodíaco e o mais desinteligentemente difamado.
Toda a sociedade está baseada em rituais. As organizações religiosas têm seus rituais. A finalidade de todos esses rituais e de todos os festivais coletivos, incluindo concertos, óperas e jogos de futebol, é fortalecer os laços da psique coletiva entre os membros de uma determinada sociedade ou grupo. Em outras palavras, o ritual tem por finalidade gerar o fator especial a mais, que se produz quando o grupo é psíquica e emocionalmente integrado. Há uma integração física ou eletromagnética que ocorre quando os corpos humanos se tocam e se movimentam juntos de acordo com ritmos partilhados.
Pode-se dizer que a mídia usa de rituais, de induções coletivas para um determinado fim, com o objetivo de direcionar a coletividade para um propósito único. A constante sequências de informações com um único propósito, leva a psique coletiva a tomar determinadas atitudes, como uma espécie de magia coletiva, cumprindo assim uma meta pré-estabelecida.
Podemos ainda dizer que o ato sexual é uma espécie de ritual, com o objetivo da fusão de dois corpos em um, levando o relacionamento a sublimação e a uma interação psíquica.
As experiências relacionadas com a nona Casa são essencialmente as que um indivíduo tem durante sua busca de sentido para as coisas. Essa Casa, sendo "cadente", também se refere especificamente a assuntos que permitem aos parceiros e a todo tipo de atividade grupal operar eficazmente e expandir-se dentro do arcabouço de uma certa sociedade e cultura. Isso requer um conhecimento das condições globais, dos procedimentos e das leis que estruturam o estilo de vida de uma determinada sociedade e as possibilidades desse estilo de vida no que toca ao sucesso e à expansão. A nona Casa é, tradicionalmente, a Casa da filosofia e da religião, mas também se relaciona com todos os assuntos jurídicos. Diz respeito em geral, a tudo quanto expande o campo de atividade de uma pessoa ou o escopo de sua mente: viagens longas, contato íntimo com outras culturas e com estrangeiros em geral, e aqueles "grandes sonhos" que revelam à consciência aberta que se defronta com os desafios da vida o significado dos acontecimentos do passado, do presente e dos que se pode esperar para o futuro, bem como as tendências do destino individual e coletivo. Experiências com videntes, profetas, ledoras de sorte, estatísticos futurólogos, visionários etc. també, se relaciona com a nona Casa.
A nona Casa se opõe à terceira e a complementa. Enquanto a terceira Casa se refere à necessidade de um indivíduo de se haver com seu ambiente pessoal e íntimo e, desse modo, conhecê-lo e compreendê-lo, a nona Casa é uma área em que ele procura descobrir o significado de campos mais amplos da existência social que ele talvez não experimente diretamente mas que sua mente pode explorar pelo uso de analogia, generalização e abstração. Essas duas Casas simbolizam as duas polaridades da mente humana, o concreto e o abstrato. Toda mente plenamente desenvolvida opera em termos de uma combinação de ambos os tipos de pensamento, mas quase todo mundo tende a preferir um deles.
Um pensador aparentemente grande pode ser na verdade um médium ou um canal pelo o qual opera a mente coletiva ou a mente de um parceiro cuja influência pode ou não ser conscientemente reconhecida.
Em assuntos relativos à mente de um indivíduo, devemos sempre estabelecer uma diferença entre "conhecimento" e "compreensão". O ato de conhecer pertence à terceira Casa, porque implica apenas o contato direto de uma pessoa com algo em seu ambiente.
A complexa natureza do processo da compreensão e da busca de siginificado leva, na maioria dos casos, ao uso de símbolos. A nona Casa é a Casa dos símbolos. Todas as palavras são símbolos. A maioria dos gestos são símbolos representados conscientemente ou inconscientemente. A dança nupcial de alguns pássaros é um símbolo, bem como os atos humanos e as atitudes do corpo durante o namoro. Todas as artes são simbólicas, mesmo que o artista se recuse a admitir isso em sua preocupação com o que chama de "objetividade" ou de elementos aleatórios.
Um mapa astrológico também é um símbolo. Ele simboliza a relação complexa existente entre o recém-nascido e o universo. Da mesma forma todos os conceitos religiosos e visões místicas simbolizam esse tipo de relação entre indivíduo e universo. Fala de uma "experiência de Deus" - uma experiência típica da nona Casa - é um modo canhestro de simbolizar numa palavra, Deus, a "sensação" da chamada experiência "unitiva", em que todo o universo se reduz a uma unidade sobre a qual a pessoa projeta a resposta a todas as suas necessidades concebíveis.
O universo todo, como o percebemos, é um símbolo de nosso estágio humano e individual de evolução. Eis a razão por o filósofo hindu o chama de Maya, palavra geralmente traduzida - de maneira pouco adequada - como "ilusão". Símbolos não são ilusões ! Eles constituem projeções daquilo que somos genérica, coletiva e individualmente.
Aquilo que chamamos de lei também é uma expressão simbólica. As leis de uma sociedade revelam o caráter básico da inter-relação de seus membros.
Na Décima Casa, o indivíduo se defronta com experiências que resultam do fato de ter sido bem-sucedido, ou de ter malogrado na obtenção de uma posição social - isto é, um lugar no complexo ritual das atividades sociais, públicas ou profissionais. Ele está integrado ou deixa de estar integrado na totalidade maior em que aprendeu, ou deixou de aprender, a participar cooperativamente. Ele tem um lugar, uma função definida, um status público em sua comunidade. Devido a esse status, ele possui algum grau de poder social, o que em nossa sociedade implica principalmente dinheiro, mas em outras pode significar outros fatores também relacionados a poder e a prestígio social ou comunitário. Em seu sentido mais amplo, o termo cargo implica uma função ou um papel que um indivíduo desempenha juntamente com outros. Ele é um "oficiante" num vasto ritual coletivo. É esse "cargo" que define seu lugar na comunidade, assim como o que ele conseguiu realizar como indivíduo.
A décima Casa é a da realização. Uma série de desenvolvimentos gradativos, em que as relações da sétima Casa são particularmente importantes, vêm à tona. Esses desenvolvimentos eram potencialidades dentro do impulso original, ou logos - "palavra, verbo" -, que o Ascndente simboliza. O potencial da primeira Casa, em teoria, se efetiva plenamente na décima Casa se tudo ocorreu bem durante o processo de efetivação, que está cheio de ardis, obstáculos e possibilidades de perda de rumo.
A cúspide da décima Casa - o Meio-do-céu - é um dos quatro ângulos do mapa astrológico. O Meio-do-céu do mapa astrológico comum não é o zênite; este é um ponto no céu situado diretamente acima da cabeça de uma pessoa de pé sobre a superfície de nosso globo. O Meio-do-céu é, antes. o ponto em que o meridiano - im grande círculo que passa pelo verdadeiro zênite e pelo nadir - corta a eclípitica, isto é, o plano do movimento anual aparente do Sol pelo Céu, de um equinócio da primavera até o seguinte. O Meio-do-céu é, portanto, um fator "solar". Diz respeito a processos vitalistas. Ele representa a consumação de funções orgânicas e comunais. Tem sua importância acentuada em grau máximo em sociedade que operam em termos de valores biológicos e segundo ritmos estritamentes naturais, como é o caso típico das sociedades agrícolas.
Quando uma pessoa fica de pé, sua coluna espinhal torna-se um segmento de reta que, passando por ela, liga o centro da Terra e uma dada estrela situada exatamente acima de sua cabeça. Essa estrela é potencialmente um grande símbolo; ela representa a identidade espiritual da pessoa, seu "lugar" na vasta galaxia.
Hoje em dia não se pode, astronomicamente, identificar essa estrela, e talvez até convenha ser assim, em vista do atual estágio da evolução humana. Além disso, se fôssemos capazes de determinar essa estrela, não saberíamos qual significado simbólico ou qual caráter atribuir-lhe. No entanto, potencialmente a estrela existe. Se considerarmos a galáxia como sendo o "Utero das Almas", como faziam os antigos, sempre haverá nessa vasta matriz cósmica uma estrela que representa a nossa "alma" não realizada e corporificada. Seu "raio" passa por nós quando nos situamos nas alturas de nossa mais íntima identidade. Ela é o símbolo do nosso encargo cósmico e da Maestria que cada indivíduo pode vir a compreender e permitir que encarne em sua pessoa como um todo, transformada.
Na décima primeira Casa, o poder da sociedade, da coletividade ou do grupo é liberado através do indivíduo. Mais precisamente, esse poder é liberado através das atividades que o indivíduo desempenha dentro da unidade social - nação, classe, igreja, clube, categoria profissional - a que pertence.
A experiência que ele adquiriu na décima Casa lhe possibilita estabelecer novos objetivos sociais ou novas metas profissionais para si mesmo, ou relaxar na companhia de seus companheiros de trabalho e dos amigos. Se essa experiência da décima Casa for vital e ele a enfrentar com real poder e verdadeira receptividade às necessidades da situação com que se defronta, ele desenvolverá uma nova perspectiva, novos ideais e planos concretos de aprimoramento social ou profissional. Se sua participação na vida da sociedade tiver sido superficial, passiva ou puramente baseada no gozo de privilégios, ele provavelmente procurará um ou outro tipo de escape social, desde reuniões para chá até os desvarios dos clubes noturnos, em companhia de amigos a ele mentalmente sintonizados.
O tipo de experiência relativas à décima primeira Casa diz respeito especificamente à exteriorização dos ideais de um indivíduo em relação a pessoas que comungam desses mesmos ideais. Essas pessoas se tornam suas companheiras; são "amigos" operando dentro de um quadro sócio-profissional, ou lutando contra ele. Em sentido restrito, é isso o que os amigos são, pois a amizade - ao menos no sentido desta décima primeira Casa - não se baseia tanto em ligações puramente pessoais - tipos de relacionamento da quinta e sétima Casas.
A décima segunda Casa encerra o ciclo de experiência humana. É o último estágio de um processo que pode se repetir durante toda a vida de um indivíduo, ou terminar com o que chamamos de morte. Nessa Casa, o indivíduo ou consolida seus sucessos transformando-os na semente de um novo ciclo de crescimento, ou enfrenta o resultado acumulado de seus fracassos. Na verdade, praticamente não há indivíduo algum que não tenha obtido algum tipo de sucesso e experimentado derrotas pessoais ou sociais. Na última Casa do ciclo, a pessoa se vê inevitavelmente confrontada por seus sucessos e malogros. Suas lembranças do passado, conscientes ou inconscientes, se acumulam no limiar de um novo ciclo. Elas são Anjos de Luz que acenam para o além, ou obscuros Guardiães do Limiar, cujos traços são configurados por suas frustações, suas negações da vida, seus temores, seus pecados de omissão e de ação. O indivíduo precisa enfrentar essa entidade composta que ele mesmo criou. Ele precisa passar por ela, custe o que custar - para ter direito de ingressar num novo ciclo.
Na décima segunda Casa, enfrentamos os resultados de nosso conformismo passivo ou de nossa rebelião espiritual. Enfrentamos o carma da sociedade de uma maneira subconsciente e cega, ou enfrentamos nosso carma como indivíduos que combateram a sociedade, movidos por nossos próprios interesses egoístas ou guiados pela esperança de criar um mundo melhor. Ou vamos dormir espiritualmente, acatando as tradições e os precedentes comodamente, ou arcamos com o ônus e com as conseqüências de nossos ideais e de nossos esforços por incorporar nossa visão entre os seres humanos. Em muitas vidas, essas duas possibilidades se encontram simultaneamente em proporções variáveis.
Na décima segunda Casa contém a semente desse renascimento. Isso é revelado simbolicamente no próprio fato de que o horizonte - qu é uma linha de demarcação entre a décima segunda Casa e a primeira - é recurvo. Por leve que seja essa curvatura, ela tem um significado, pois inclina a cúspide da primeira Casa para baixo, do ponto de vista da décima segunda Casa. Poderíamos simbolicamente dizer que todo o peso do céu faz pressão sobre o horizonte. O céu imprime sobre o solo a configuração germinal do novo destino, e a semente do futuro ciclo é liberada do passado. De acordo com a tradição antiga da filosofia indiana, o derradeiro pensamento que a pessoa tem por ocasião da morte determina o modelo de sua futura encarnação.
Ouve-se muito dizer que a décima segunda Casa é a Casa do carma e da servidão. Mas é também, potencialmente, o campo da realização e do símbolo da conclusão perfeita, que é o prelúdio de um futuro mais glorioso. O que a décima segunda Casa natal indica é como alguém pode alcançar a perfeita realização de si mesmo, se é que se pode alcançá-la. Ela não diz se vai ou não alcançá-la. Não revela se o interessado deixará muitos produtos residuais e muitas coisas por concluir no encerramento do ciclo de sua vida ou de alguns ciclos menores. Não revela se ele será capaz de se desvencilhar de seus fantasmas - despedindo-os com uma benção e de renovar corajosamente sua mente e sua vida. Mas diz algo com relação à natureza e à insistência dos fantasmas com os quais terá de lidar, e dá um quadro geral do subconsciente - o reino dos fantasmas e dos restos dos problemas não resolvidos ou das experiências não efetivadas. Sugere o melhor meio de lidar com nossos fantasmas e com os produtos desinegrados do subconsciente.