DANOS CAUSADOS PELAS PRAGAS

São três as preocupações dos agricultores: o elevado preço dos adubos, os prejuízos causados pelas pragas e os danos decorrentes dos ventos e das chuvas. Como já expliquei, em capítulos anteriores, os malefícios dos adubos, passarei a falar agora sobre os danos causados pelas pragas.

É importante saber, de forma conclusiva, que as pragas se originam dos adubos. Aplicados ao solo, eles acabam tornando-o impuro, modificam suas características, fazem regredir sua capacidade e, ao mesmo tempo, deixam sujeiras como resíduos. É óbvio que todas as matérias sujas apodrecem. Aí aparecem larvas ou ovos,juntamente com bactérias. Se essa é a lei da matéria, nela se enquadram as plantas. O aparecimento de vermes nas fossas comprova o que dizemos. As várias espécies de pragas originam-se dos diversos tipos de adubos. Dizem que ultimamente surgiram novas espécies, mas isso nada mais é que uma conseqüência do aparecimento de novos adubos. O fato é evidenciado pela afirmação dos agricultores de que existem muitos insetos nocivos em locais próximos às fossas.

Outro ponto importante é que, quando aparecem pragas, utilizam-se defensivos agrícolas para combatê-las, o que é extremamente prejudicial. Os inseticidas são venenos e matam os insetos, mas, quando se infiltram no solo, acabam contaminando-o e enfraquecendo-o ainda mais. Assim, o que nele for cultivado sofrerá os danos causados por mais um veneno, além dos tóxicos dos adubos. O solo, da mesma forma que o homem, perde a resistência, e as pragas se multiplicam. E realmente um círculo vicioso. Nesse aspecto, inclusive, pode-se notar o quanto a agricultura tradicional está errada. Além do mais, ingerindo alimentos que absorveram substâncias venenosas como o sulfato de amônia contido nos fertilizantes, o corpo humano sofre os seus efeitos; e é óbvio que isso faça mal à saúde, pois suja o sangue. No caso do arroz, por exemplo, que se come diariamente, mesmo que a quantidade de veneno ingerido em cada refeição seja ínfima, ela vai se acumulando ao longo do tempo e torna-se a causa de doenças.

15 de janeiro de 1951