O QUE É A MORTE?
Entre as questões relacionadas à vida humana, nenhuma é tão séria quanto o problema da morte. Todos o reconhecem; apesar disso, é a questão mais difícil de ser compreendida. Eu cheguei a uma conclusão a respeito da morte depois de prolongados estudos e pesquisas em todos os campos, incluindo diversas religiões, experiências espirituais realizadas no Ocidente, etc. Começarei minha explanação falando sobre a constituição do homem.
O homem não é formado apenas pela matéria, ou seja, pelo corpo físico, como afirmam os cientistas. É constituído por duas partes essenciais: espírito (elemento fogo) e matéria. Esta, por sua vez, compõe-se dos elementos água e terra. Entretanto, apenas com estes dois últimos elementos o homem não atua como ser vivo. Juntando-se a eles o espírito, sem forma definida, é que se inicia a atividade vital. O espírito assume, então, a forma do próprio corpo da pessoa. No momento em que ele se separa do corpo, ocorre aquilo que chamamos morte.
E por que ocorre a separação? É porque o corpo se torna inútil, seja por velhice, por doença, por ferimento ou por hemorragia intensa; no instante em que isso ultrapassa certo parâmetro, entra em vigor a lei que obriga a separação. Com a morte, imediatamente o corpo esfria, e o sangue se coagula em determinado local. O esfriamento é decorrente da anulação do elemento espírito, isto é, do elemento fogo.
O que acontece, então, com o espírito? Ele vai para o Mundo Espiritual com a forma exata do corpo. A esse respeito li, há algum tempo, o relato de uma experiência realizada no Ocidente; como se trata de um exemplo bem ilustrativo, vou reproduzi-lo a seguir.
Certa vez, fitando um doente prestes a morrer, uma enfermeira observou que de sua testa começou a subir uma fumaça esbranquiçada, como se fosse vapor d'água, o qual se tornava cada vez mais denso. A princípio essa fumaça tomou o formato de uma elipse no espaço, mas gradualmente foi adquirindo a forma de um corpo humano; por fim, assumiu as mesmas características físicas da pessoa. O espírito permanecia a uma distância de aproximadamente um metro acima do morto e parecia querer dizer alguma coisa aos familiares que choravam à sua volta; logo, porém, flutuando, saiu do quarto silenciosamente.
Em geral o espírito se desprende do corpo pela testa, pela região abdominal ou pelos pés. No caso de morte por explosão, instantaneamente ele se espalha em todas as direções, na forma de inúmeros corpúsculos, mas torna a se reunir de maneira centrípeta, reassumindo o formato humano; assim, não difere nem um pouco da morte por doença.
Quando os espíritos se deslocam, por vontade própria, para determinado local, tomam a forma esférica. É com esse formato que muitas pessoas afirmam tê-los visto. Com relação à visão da enfermeira de quem falamos, trata-se de uma capacidade excepcional; aliás, existem criaturas que já nasceram com essa capacidade, e outras que a adquiriram através de treinamento. No Japão, desde a antigüidade registram-se casos verídicos desse tipo, e eu mesmo já tive inúmeras oportunidades de contatar com médiuns. Conheci uma senhora possuidora de percepção espiritual fora do comum, a qual me foi de grande valia nas experiências que realizei.
1939